domingo, 7 de setembro de 2008

O AFETO VALE OURO.


Para Bryan as coisas no final de 2007 estavam perfeitas: acabara de se mudar para um apartamento de frente ao mar. Isso era tudo o que ele queria. Mas, antes de partir para o paraíso da Barra da Tijuca, ele não tinha uma vista tão bonita da janela de seu quarto. Bryan morava na favela da Vila Cruzeiro, situada na Penha. Agora você deve estar se perguntando como que um garoto pobre, que morava em uma comunidade carente foi parar na Barra da

Tijuca, a resposta é simples. Bryan e seus pais, Afonso e Rebeca, sempre sonharam com uma mudança nas suas vidas. Com uma vida melhor, sem violências. Várias pessoas, neste momento, pensariam que algum deles jogou na loteria e ganhou, mas todas essas pessoas se apostassem nessa hipótese perderiam porque essa mudança não foi bem uma sorte, foi mesmo um caso de amizade. Como assim? Pois é, a mãe de Bryan, Rebeca, não era desempregada, muito pelo contrário, ela trabalhava em uma casa de família na zona sul, aliás, não era muito bem uma casa de família, era apenas a casa de uma Senhora que morava sozinha e não tinha ninguém para ajudá-la. Rebeca era a única pessoa que ajudava Dona Maria Josefa, uma senhora de 76 anos de idade.

O pai de Bryan não trabalhava de carteira assinada, ele fazia alguns “bicos” para conseguir ajudar com as despesas de casa. Bryan era um garoto normal, ia à escola e brincava com os amigos de lá, já que não podia fazer o mesmo em casa, pois era muito arriscado...

A semana inteira passa, é chegada mais uma segunda-feira e Rebeca vai trabalhar. Como de costume, ela sempre chegava à casa de Dona Josefa por volta de 9:00h. Rebeca começa a executar as suas tarefas diárias normalmente quando percebe que Dona Josefa demora a acordar. Ela prepara o café da manhã e quando vai ao quarto da Senhora vê que ela não está respirando muito bem. Larga a bandeja no chão e corre até a cama dela. Percebe então, que ela está um pouco roxa é quando constata que Dona Josefa está Morta, fica desesperada sem saber o que fazer. – Dona Josefa Acorda! Corre para chamar os vizinhos e desaba em choro. – “Como pode isso acontecer com uma pessoa tão boa como ela?”, pergunta para os vizinhos, chorando muito. Mas eles não sabiam o que estava acontecendo direito, alguns chegaram até a desconfiar de que ela havia feito aquilo, já que só estavam as duas dentro do apartamento. Rebeca já não sabia o que fazer e depois daquele dia atribulado ela volta para casa e tenta descansar. No dia seguinte ela volta no apartamento para ver uma roupa para vestir Dona Josefa para o velório. Lá no apartamento, enquanto procurava alguma roupa apropriada, Rebeca acha uma carta dentro do armário, fica muito encucada, pois Dona Josefa não gostava muito de expressar seus sentimentos com palavras, mas sim com gestos como ela mesma dizia. Então rebeca pega a carta e lê. “Olá minha querida Rebeca, não quero que fique triste com o que eu fiz, mas fiz isso porque sou muito infeliz, tenho uma fortuna tão grande que herdei de meu pai... Mas o que é mais importante eu não tenho: uma família. Lembro-me como se fosse hoje do Bryan correndo na minha sala. Uma criança feliz. Não tenho mais motivos para viver, deixo tudo o que eu tenho para você e sua família, por isso escrevi esta carta, para dizer que no meu testamento deixei tudo para vocês. Vocês merecem tudo o que eu tenho para dar, meus carros, casas, sítios... Pelas alegrias que tive com vocês. Gostaria muito de ser enterrada com aquela roupa que você dizia que eu ficava linda. Considero-te como a filha que eu não tive. Fique com Deus e desfrute da vida por mim. Beijos Maria Josefa”.

Ao terminar de ler a carta, Rebeca fica muito abalada, descobre que aquilo não foi uma coisa natural e sim provocada por Dona Josefa. Aquela Senhora vivia numa solidão interna e não se abria para contar nada.

Rebeca sempre sonhou com uma vida melhor para sua família, mas nunca imaginou que fosse ser dessa maneira que ela ia mudar de vida. Às vezes ela se sente um pouco mal com essa coisa de ficar com o dinheiro de uma pessoa que morreu, mas de outro lado ela se sente orgulhosa de si mesma por ser tão amada por aquela pessoa humilde, que não esbanjava riqueza.

Hoje, a vida de Bryan mudou bastante, não só a dele como a de seus pais também, depois da morte de Dona Josefa eles foram morar no apartamento da Barra da Tijuca. Bryan está namorando e seus pais estão muito felizes e conformados com tudo o que aconteceu e com esse furacão que passou na vida deles, sabem muito mais do que antes o valor que tem uma pessoa, não importa se ela é a empregada da casa, ou a vizinha, ou sei lá quem. O que importa é que se você tem um afeto por uma pessoa ela vale muito mais que ouro.



P.S. Esse texto foi uma inspiração muito surpreendente, onde eu pude contar um sonho de uma família se realizando. Tudo bem que não foi lá da maneira que eles queriam, mas aconteceu, eles superaram o trauma e agora usufruem de uma aconchegante vida...

E vale lembrar que esse texto também está concorrendo no projeto Rio Biografias, postarei o resultado aqui no blog no dia 15/10/08, com um texto especial!

sábado, 6 de setembro de 2008

O Amor Que Não Acabou...


O jovem Daniel estudava em uma escola desde o seu primário, tem 16 anos agora e está cursando a 8ª série do ensino fundamental. Daniel era uma pessoa muito popular na sua escola situada em Copacabana, por sua inteligência, mas essa popularidade nem sempre era saudável, Daniel percebia que alguns de seus colegas gostavam de se aproveitar dele, viviam pedindo as respostas dos trabalhos, e nunca falou para ninguém que não gostava, mas um dia ele resolve desabafar com o seu melhor amigo:

-Poxa Jefferson, não agüento mais essa coisa de ficar dando “colas” para essas pessoas que se dizem meus amigos, mas na verdade não são. _Disse Daniel.

-Mas cara, eu já escutei algumas dessas pessoas dizerem que você é um “troxa”, eu como seu amigo te aconselho a se afastar deles de alguma forma.

-Mas como? Você sabe que eu não sei ser tão direto como você está querendo que eu seja.

-Aí é que está o seu defeito, se você tivesse uma namorada não estava dando tanta atenção assim para essas pessoas.

-Mas ninguém aqui nessa escola me vê com outros olhos... Eu quero muito viver um romance.

-As nossas férias estão chegando, concerteza você vai encontrar alguém que te preencha cara, afinal você merece muito alguém que te dê valor de verdade.
As férias chegam, Daniel tenta curtir sem pensar muito no que Jefferson falou, ele queria não queria ficar a procura de uma namorada. As férias são curtas, são de meado de ano, ele acaba voltando para escola sem a tão sonhada namorada.Ao voltar às aulas Daniel percebe que entrou uma pessoa muito especial em sua sala.

Ana, morava em Campos Elíseos recém moradora do bairro de Copacabana e agora estuda no mesmo colégio que Daniel
Ela também era uma menina muito inteligente e não gostava muito dessa coisa de dar “colas” em provas e nem trabalhos, ela tinha como teoria o... “cada um no seu quadrado” e detestava quando alguém ficava encima para pegar as respostas. Ana ainda estava no começo, ninguém fazia com ela o que fazia com Daniel, e ele descobrindo que Ana agia igual em sua escola anterior, propõe uma coisa a ela: que o ajude a melhorar a sua turma com um projeto inventado por ele e Jefferson e ela topa, pois ela não ia querer ficar em uma turma onde as pessoas ficam dependentes das outras e não se esforçam para conseguir nada sozinhos. Nesse projeto eles quem davam as idéias e acabava dando certo sempre, as aulas se tornaram mais interativas e os alunos aos poucos se tornando mais interessados. Essa atitude torna a turma 801 a mais interessada e com mais rendimentos nas aulas.

-Cara, você e a Ana se dão tão bem e eu acho que ela está gostando de você, pois estava ouvindo-a conversar com algumas meninas lá da sala que você é simpático, inteligente... Estava fazendo muitos elogios da sua pessoa com um entusiasmo que só vendo...

-Eu vou te falar uma coisa, ela também é muito simpática e inteligente e eu gosto muito dela, nesses três meses que estamos convivendo juntos posso dizer que ela se tornou minha grande amiga além de você, e eu acho que se eu for falar alguma coisa com ela sobre namoro ou “ficar”, posso perder a amizade dela.

-Mas você não pode perder a oportunidade de ter um grande romance com uma menina simpática como ela.

-Ok Jefferson, vou me encorajar a falar com ela.

Depois de um tempo, Daniel resolve falar com Ana que na hora fica sem resposta.

- Ana. Você nesse tempo em que está conosco aqui na escola fez muitas coisas boas, essas coisas mexeram muito comigo, gosto muito de você e eu não sei se a recíproca é verdadeira, mas mesmo assim resolvi tentar dizer o que eu sinto por ti.
Neste momento Daniel é interrompido por Ana.

-Não fale mais nada! Eu estava percebendo que você estava gostando de mim sim, só não te contei porque por que eu não queria me expor dessa maneira, também quero te falar algumas coisas, você é um cara bastante simpático, inteligente, estava comentando com algumas meninas lá da sala sobre você, disse que eu te tenho como o meu melhor amigo e que eu achava que se alguma coisa entre nós mudasse ia ser muito ruim e elas me disseram que quando alguma coisa vai mudar para melhor nunca fica ruim. E é por isso que eu acho que se eu gosto de você e você de mim, não há nada que impeça de acontecer.

Os dois começam a namorar e durou bastante, só não durou mais do que um ano. Daniel estava começando a trabalhar, coisa que ele queria muito, mas para trabalhar ele teria que mudar de cidade já que o emprego que ele conseguira era longe, para ser mais exato o emprego dele é de adolescente aprendiz na Caixa em Duque de Caxias e ficaria muito difícil ir e voltar todos os dias de Caxias para Copacabana e estudar à noite, então ele preferiu ficar morando com a avó em e estudar por lá e dar um tempo no namoro.

-Amor, não estou terminando contigo por nada pessoal, a minha família precisa da minha ajuda que só poderei dar depois que começar a trabalhar, e para isso teremos que dar um tempo no nosso namoro. Amo-te, nunca esquecerei você.

-Eu não vou dizer para não ir, vou aguardar você.Tem mais é que ajudar a sua família mesmo.

E Daniel foi no final de semana seguinte para a casa de sua avó, ainda estavam em Setembro, ou seja, Daniel estudou 2 meses e pouco na escola de Caxias antes de acabar o ano letivo. Sempre mantinha contato com Jefferson para saber como estavam as coisas por lá, sempre dizia que ainda gostava de Ana e que nunca iría esquecê-la. Mas em uma conversa com Jefferson, Daniel descobre uma coisa que não te agrada nem um pouco.

-Jefferson?

-E aí meu irmão como você está?

-Estou muito bem, mas e aí, como está a Ana?

-Irmão... Já que perguntou eu vou falar, ontem teve uma festa na casa da Vivi, aquela menina que andava no grupinho pedindo cola...

-Ah, sim me lembro.

-Então, a Ana ficou com três garotos lá.

-Não acredito que ela fez isso comigo, ela disse que ia esperar eu voltar, que eu tinha que ajudar a... –Diz com voz de choro.

-Cara, me desculpa, você sabe que eu detesto mentiras, não guardo nada, por pior que seja.

-Ok, agradeço por me alertar. Queria muito que ela cumprisse o que falou.

Daniel fica muito triste com a notícia. Seu trabalho tinha um contrato de um ano, Daniel volta para casa. Agora no 2º ano Daniel está mais maduro. Depois de um tempo resolve desabafar com seu amigo.

Daniel não é bem sucedido nas suas tentativas de voltar com Ana e acaba desistindo. Mas Ana ainda o ama também e depois de passar um tempo, perto do natal e do aniversário de 17 anos dos dois ela pede para voltar com ele.

Ele poderia dar como resposta um não, assim como ela deu duas vezes para ele, mas o amor de Daniel falou muito mais alto, quem sabe até gritou. Daniel aceitou voltar para Ana.


NÃO SOMOS DONOS DE NOSSOS CORAÇÕES, ELES AGEM DE FORMA ESPONTÂNEA.

P.S.: Esse texto está concorrendo no concurso do projeto Rio Biografias Fundado pelo Autoria e pela Oi Futuro.